Qual é o pior evento plausível da rota
Descida de serra com fila, entrada urbana com pedestre, pátio de indústria com estrutura cara. O limite se dimensiona pelo evento que quebra, não pela batida de estacionamento.
Para um carro, o casco é a parte cara e os terceiros são o complemento. Para um caminhão, a conta vira: o dano que ele causa em cadeia, pela massa, pela velocidade de estrada e pela carga alheia que carrega, é o risco que fecha uma empresa pequena. Esta página é para quem decide não segurar o caminhão, mas não pode deixar de segurar o que ele faz nos outros.
Quem quer o caminhão coberto também, com casco, começa pela página de seguro para caminhão.
Por que o RC pesa mais no caminhão
Um caminhão que perde o freio numa descida não bate num carro: bate numa fila. Um cavalo que tomba na curva não risca a pista: derruba a carga de um cliente, fecha a rodovia e atinge quem vinha atrás. O dano que o caminhão causa é múltiplo, e é isso que torna o seguro de terceiros a cobertura mais importante do veículo pesado, mais do que o próprio casco.
A cobertura de responsabilidade civil facultativa paga, até o limite contratado, o que o caminhão causar a pessoas e bens fora dele: danos materiais, danos corporais e, quando contratada, a parcela de danos morais. Ela não paga o caminhão, não paga a carga que ele leva e não paga o motorista ferido, porque cada um desses tem cobertura própria. Contratar só terceiros é escolher, de forma consciente, deixar o veículo por conta própria e nunca deixar o dano alheio.
A decisão típica é de caminhão quitado e com muita estrada rodada, cujo valor de mercado ficou abaixo do que o prêmio do casco custaria ao longo da vigência. O dono aceita perder o caminhão numa perda total, porque consegue repor. O que ele não consegue repor é o patrimônio pessoal tomado numa ação de indenização por um engavetamento. É para isso que o RC existe.
Só terceiros é uma decisão sobre o caminhão, não sobre o risco. O risco continua o mesmo, e o limite precisa ser dimensionado como se o casco estivesse lá.
As três parcelas do limite
| Parcela | O que paga | Por que o caminhão exige mais |
|---|---|---|
| Danos materiais a terceiros | Carro, moto, poste, muro, mercadoria de outro veículo | Vários bens atingidos no mesmo evento dividem o mesmo limite |
| Danos corporais a terceiros | Despesa médica, invalidez e morte de quem está fora do caminhão | A massa do veículo torna o dano corporal grave mais provável |
| Danos morais | A parcela de indenização que o juiz fixa além do dano medido | Ação com vítima grave quase sempre pede danos morais junto |
| Custas e honorários de defesa | A defesa do segurado na ação, quando a apólice prevê | A ação de acidente com caminhão demora e custa antes de terminar |
A carga que o caminhão leva não está em nenhuma linha desta tabela. Ela é da apólice de responsabilidade civil do transportador.
Como dimensionar
Descida de serra com fila, entrada urbana com pedestre, pátio de indústria com estrutura cara. O limite se dimensiona pelo evento que quebra, não pela batida de estacionamento.
Embarcador, indústria e transportadora que agrega colocam limite de RC no contrato. Se a apólice fica abaixo, o contrato não fecha e o sinistro sobra para o dono do caminhão.
Acima do limite, quem paga é o dono. Quanto maior o patrimônio exposto, maior a razão para o limite subir, porque é ele que estará na ação.
Dimensionamos danos materiais, corporais e morais pelo pior evento da sua rota e pelo que o seu contrato de frete exige, e cotamos só a responsabilidade civil, sem empurrar casco.
Tipo, rota, carga e o que o contratante exige definem o limite.
Perguntas frequentes
Dá. A apólice contrata só a responsabilidade civil facultativa, sem casco: a seguradora paga o dano que o caminhão causa a outras pessoas e outros bens, e o caminhão em si fica sem cobertura. É a escolha comum para caminhão quitado e antigo, cujo valor não justifica o prêmio do casco.
Não. A carga transportada é bem sob custódia do transportador e tem apólice própria, a de responsabilidade civil do transportador rodoviário. O RC facultativo de auto cobre o que está fora do caminhão: o carro atingido, o poste, a casa, o pedestre.
Não existe um valor certo, e é por isso que a pergunta importa. Um caminhão em movimento causa dano em cadeia: vários carros no engavetamento, uma carga alheia destruída, uma estrutura derrubada. O limite precisa comportar o pior evento plausível da rota, não o arranhão comum.
Danos corporais entram na cobertura própria, contratada com limite separado dos danos materiais. Danos morais são cobertura adicional, e nem toda apólice a inclui por padrão. Em caminhão, a corretora costuma insistir nas três.
Por evento, na maior parte das apólices. Os vários terceiros atingidos dividem o mesmo limite, e o que passar dele fica com o dono do caminhão. É o motivo de o limite de caminhão precisar ser maior do que o de um carro.
Pode e costuma. Embarcadores, indústrias e transportadoras que agregam caminhão pedem RC com limite definido em contrato, e a apólice precisa bater com o exigido. É o caso em que o limite não é escolha do caminhoneiro.
Cotamos o RC do caminhão com o limite que a sua rota e o seu contrato pedem.
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