Seguro de crédito à exportação: quando o importador não paga
Vender para fora tem um risco que a venda interna não tem: o comprador está em outra jurisdição, em outra moeda, sob outro governo. O seguro de crédito à exportação cobre o calote do importador e também o país que o impede de pagar.
Para venda a prazo dentro do Brasil, veja a página de seguro de crédito.
Dois riscos, uma apólice
Risco comercial e risco político
A venda interna só tem a primeira coluna. Na exportação, a segunda é o que faz o seguro existir — e o que nenhuma análise de balanço do comprador consegue prever.
| Risco comercial | Risco político | |
|---|---|---|
| Quem causa | O importador | O país do importador |
| Exemplos | Insolvência, falência, mora prolongada | Moratória, bloqueio de remessa, guerra, embargo, licença cancelada |
| O comprador quer pagar? | Não pode ou não quer | Quer e é impedido |
| Como se avalia | Balanço e histórico do comprador | Classificação de risco do país |
| Como se prova o sinistro | Cobrança e inadimplência comprovadas | Evento oficial no país de destino |
| Efeito no limite | Limite por comprador | Limite por país |
A seguradora aprova limite por comprador e por país. Um importador excelente num país instável pode ter o limite reduzido por causa da segunda coluna.
Antes e depois do navio
Pré-embarque e pós-embarque não são a mesma cobertura
O risco da exportação começa antes de a mercadoria sair. Quem fabrica sob encomenda — máquina, molde, peça com especificação do cliente — investe meses de produção em algo que só aquele importador quer. Se ele cancela ou perde a licença de importação no meio do caminho, o produto está pronto e não tem comprador. Essa é a cobertura pré-embarque, e ela é negociada à parte.
A cobertura pós-embarque é a mais conhecida: a mercadoria foi entregue, a fatura venceu e o importador não pagou. Aqui a seguradora indeniza dentro do limite aprovado para aquele comprador e assume a cobrança no exterior, o que sozinho já vale muito — cobrar em outro país, em outro idioma e sob outra lei é caro e lento para uma empresa brasileira.
O exportador que vende commodities com prazo curto costuma precisar só da pós-embarque. O que vende bens de capital sob encomenda, com prazo longo e adiantamento parcial, precisa das duas. Perguntamos o produto e o prazo antes de cotar justamente para não vender cobertura que não serve.
A alternativa que o importador paga
Carta de crédito ou seguro de crédito à exportação
As duas reduzem o risco de não receber. A diferença é quem paga por isso e o quanto a exigência custa em venda perdida.
Com seguro de crédito à exportação
- Você vende em conta aberta e o importador não precisa de banco
- O custo é seu e vira argumento comercial
- Cobre a carteira, não uma operação por vez
- Inclui o risco político do país de destino
- Cobrança no exterior conduzida pela seguradora
Com carta de crédito
- O importador precisa obter a carta no banco dele
- O custo recai sobre o comprador, que resiste
- Uma carta por embarque, com burocracia documental
- Discrepância no documento pode travar o pagamento
- Comprador com limite bancário apertado desiste
Para comprador novo e país instável, muitos exportadores usam as duas. Para a carteira recorrente, o seguro substitui a carta e destrava venda.
Limite por comprador e por país
A seguradora analisa cada importador e cada destino. Você passa a saber quanto vender a prazo para cada um, antes de embarcar.
- Risco comercial e risco político na mesma apólice
- Cobertura pré-embarque para produto sob encomenda
- Cobrança no exterior conduzida pela seguradora
- Apólice apresentada ao banco que financia a exportação
Seguro de crédito à exportação
Países, forma de pagamento e prazo definem a análise por comprador e por destino.
Perguntas frequentes
Crédito à exportação: o que os exportadores perguntam
O que é seguro de crédito à exportação?
É o seguro que indeniza o exportador quando o importador não paga, seja por insolvência ou mora do comprador, seja por evento no país dele que impeça o pagamento. Cobre a venda a prazo para fora do Brasil.
O que é risco político nesse seguro?
É o não pagamento causado pelo país do importador, não pelo importador: moratória, bloqueio de remessa de moeda, guerra, embargo ou cancelamento de licença de importação. O comprador quer pagar e não consegue.
Cobre cancelamento do pedido antes do embarque?
Existe cobertura pré-embarque para produto fabricado sob encomenda, que perde valor se o importador cancela. Ela é contratada à parte da cobertura pós-embarque e depende de análise específica.
Preciso de carta de crédito se tenho o seguro?
Não necessariamente. O seguro permite vender em conta aberta, sem exigir do importador a carta de crédito, o que costuma ser um argumento comercial forte. As duas podem coexistir em compradores novos.
O banco aceita a apólice como garantia do financiamento?
Muitos aceitam a apólice como reforço na operação de financiamento à exportação, porque os recebíveis segurados têm risco menor. É uma conversa que costumamos ter junto com o banco do exportador.
Venda em conta aberta sem carregar o risco do país
Diga os destinos e a forma de pagamento que estruturamos a apólice.