A pessoa na garupa
O passageiro pagante e a cobertura que não pode faltar
Na apólice de moto particular, o garupa é um amigo, um parente, alguém que aceitou a carona. No mototáxi, o garupa é cliente, e a relação é de serviço. Se ele se machuca, a pergunta que aparece é a mesma de qualquer transporte remunerado: quem paga o hospital, o afastamento, a invalidez. A resposta certa é a cobertura de acidentes pessoais de passageiros, que indeniza o passageiro pelo evento, sem discutir se o piloto errou.
A responsabilidade civil, que cobre terceiros, não é substituta. Ela responde quando o piloto tem culpa e quando a apólice trata o passageiro como terceiro, o que nem toda seguradora faz. Para o mototaxista, as duas coberturas trabalham juntas: a de passageiros paga ao cliente de qualquer jeito, a de terceiros paga ao pedestre e ao carro atingido quando a culpa é do piloto.
O uso precisa estar escrito. Apólice contratada como particular com a moto rodando de ponto em ponto é a divergência mais fácil de encontrar numa regulação de sinistro: basta o passageiro dizer que pagou a corrida. O resultado é a negativa inteira, para a moto, para o passageiro e para o terceiro. Declarar mototáxi encarece, mas é a única forma de a apólice existir no dia em que é preciso.
A cobertura de passageiros é a que protege quem paga a corrida. A de terceiros protege quem está na rua. O mototaxista precisa das duas.