A exclusão que define tudo
Fora de via: por que a apólice de auto não acompanha o quadriciclo
O seguro de automóvel foi desenhado para o veículo que circula em via pública, e as condições gerais excluem o uso fora de estrada, em terreno sem pavimento aberto ao trânsito. Para o carro, essa exclusão quase nunca importa. Para o quadriciclo, ela é o centro da conversa, porque o uso típico dele é justamente o excluído: o pasto, a trilha, a areia. Um quadriciclo emplacado com apólice de auto está coberto na estrada que leva à fazenda e descoberto assim que entra na porteira.
A alternativa é segurar o quadriciclo como equipamento, no ramo de máquinas ou dentro da apólice rural quando ele é de trabalho. Esse tipo de apólice cobre o bem onde ele opera, com roubo, incêndio, tombamento e dano em operação, e aceita a responsabilidade civil como cobertura adicional. Não cobre a circulação em via pública, e é por isso que o quadriciclo que faz as duas coisas, roda na rua e no pasto, precisa de uma apólice para cada uso ou de uma cláusula que estenda a de equipamento.
Em qualquer dos dois caminhos, a responsabilidade civil é o que mais falta. O quadriciclo é emprestado com facilidade, pilotado por quem nunca pilotou e tomba com frequência. A lesão de quem pilota, quando não é o segurado, e a de quem está por perto são o sinistro mais caro do veículo, e a cobertura de terceiros precisa estar escrita, com quem pode pilotar nomeado.
Quadriciclo sem placa que roda na rua não tem seguro nenhum que responda: nem o de auto, porque não está registrado, nem o de equipamento, porque a via pública está fora dele.